quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Manifestação no RS

O Rio Grande do Sul é o epicentro do plantio de transgênicos no Brasil. Ver o movimento ambiental ousando e colocando as mensagens na rua é muito positivo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

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Confissões do Latinfúndio

Pedro Casaldáliga
(Bispo jubilado de Sao Felix do araguaia, MT)

Por onde passei,
plantei
a cerca farpada,
plantei a queimada.

Por onde passei,
plantei
a morte matada.

Por onde passei,
matei
a tribo calada,
a roça suada,
a terra esperada...

Por onde passei,
tendo tudo em lei,
eu plantei o nada.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Associações denunciam descaso de autoridades sobre transgênicos

Associações que lutam por um Brasil ecológico reivindicam a imediata suspensão do cultivo e comercialização do milho transgênico e que os convênios do Ministério do Desenvolvimento Agrário com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sejam voltados exclusivamente para a agricultura familiar agroecológica.

A notícia é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação - ALC -, 08-09-2009.

“As respostas às crises dos alimentos, do clima, energética e financeira não serão dadas pela via do mercado, mas sim pela construção de um novo paradigma em que o uso racional dos recursos naturais passa a ter centralidade no futuro da civilização”, diz a Carta Política divulgada pelas associações.

Representantes de 80 organizações de agricultores, movimentos sociais, organizações não-governamentais e entidades de defesa dos consumidores reuniram-se, dias 25 e 26 de agosto, em Curitiba, para debater o impacto das culturas transgênicas sobre a biodiversidade e a saúde pública.

A agricultura camponesa de base ecológica é que tem condições de dar respostas consistentes e sustentáveis aos dilemas civilizatórios. O encontro de Curitiba denunciou “o modelo falido da agricultura transgênica” que, além de emitir gases de efeito estufa, aumenta os custos de produção e torna agricultores dependentes de transnacionais como a Monsanto, Syngenta, Bayer, Dow e Du Pont.

A carta denuncia o Ministério da Agricultura por não fiscalizar as lavouras transgênicas, e a Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), que vem a ser um dos principais órgãos encarregados de cuidar da biossegurança da população, pela “aprovação irresponsável e açodada de invenções das transnacionais de biotecnologia.”

Os representantes das associações reunidas em Curitiba, entre elas a Cáritas, a Comissão Pastoral da Terra, Diaconia, Greenpeace Brasil e Amigos de la Tierra, do Uruguai, adotaram o 21 de outubro como Dia de Luta pela vida e contra os transgênicos.

Mais da metade do cerrado brasileiro já foi desmatada

O cerrado brasileiro já perdeu quase metade de sua cobertura florestal original, revelam dados preliminares de um estudo inédito do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente. Uma área de quase um milhão de quilômetros quadrados foi devastada pelo avanço de plantações de soja, da pecuária e da exploração de madeira para produção de carvão para siderúrgicas, informa Catarina Alencastro em reportagem publicada neste domingo no jornal Globo, 06-09-2009. Só de 2002 a 2008, pelo menos 120 mil km² teriam sido destruídos. Os números oficiais deverão ser divulgados na próxima sexta-feira, Dia do Cerrado.

Principal produtor de grãos do país, o cerrado brasileiro responde por 5% da biodiversidade do planeta e é considerado a mais rica savana do mundo. É estratégico na área de abastecimento de água e energia, pois abriga nascentes das três principais bacias hidrográficas brasileiras. O Ministério do Meio Ambiente prepara um plano de preservação da região, com monitoramento periódico dos índices de desmatamento, como ocorre na Amazônia.

- É uma taxa alta, mas não é surpresa, porque o Cerrado vem sofrendo com o desmatamento desde os anos 1970. A má notícia é que continua acontecendo - disse Braulio Ferreira de Souza Dias, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.

- Nesse ritmo, em pouco tempo vamos chegar a um estado preocupante. Se a gente comparar com a Mata Atlântica, que levou mais de 500 anos para perder 93% de sua cobertura, o Cerrado está sendo destruído muito mais rapidamente - observou Cesar Victor do Espírito Santo, do Conselho da Rede Cerrado, que congrega mais de cem ONGs.

Segundo o último estudo oficial, feito pela Embrapa Cerrados com base em dados de 2002, 39% do bioma haviam sido destruídos até aquele ano. Os dados a serem apresentados esta semana tiveram mudança na metodologia e dão conta de que o desmatamento ocorrido até aquele ano era um pouco maior: 42%. No período estudado pela Embrapa, as áreas com menor preservação eram encontradas na porção sul do Cerrado: sul de Goiás, Triângulo Mineiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

FONTE: MST

domingo, 9 de agosto de 2009

Pesquisador da Embrapa sobre as perdas da soja RR

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Editorial Scientific American

Empresas de biotecnologia impedem a realização de pesquisas independentes sobre transgênicos

Cientistas precisam pedir permissão às empresas antes de publicar pesquisas independentes sobre lavouras transgênicas.

Avanços na tecnologia agrícola -- incluindo, mas não apenas, a modificação genética em culturas alimentares -- tornou as lavouras mais produtivas do que nunca. Agricultores produzem mais e alimentam mais pessoas usando menos terra. Eles também podem usar menos agrotóxicos e reduzir o número de aragens que provocam erosão. E dentro dos próximos dois anos, empresas de tecnologia agrícola planejam introduzir lavouras avançadas desenvolvidas para resistir a ondas de calor e a secas, características de resiliência que se tornarão cada vez mais importantes num mundo marcado pelas mudanças climáticas.

Infelizmente, é impossível verificar se as lavouras transgênicas de fato apresentam a performance propagandeada. Isto porque as empresas de tecnologia agrícola outorgaram-se poder de veto sobre o trabalho de pesquisadores independentes.

Ao comprar sementes transgênicas, qualquer cliente é obrigado a assinar um acordo que limita o que pode ser feito com as sementes (se você instalou algum software recentemente, saberá reconhecer o conceito de acordo de licença do usuário final). Acordos são considerados necessários para proteger os direitos de propriedade intelectual das empresas, e eles justificadamente proíbem a replicação dos aprimoramentos genéticos que tornam estas sementes únicas. Mas empresas de biotecnologia como a Monsanto, a Pioneer e a Syngenta foram além. Por uma década seus acordos de usuários vêm explicitamente proibindo o uso de sementes para qualquer pesquisa independente. Sob a ameaça de litígio judicial, cientistas não podem testar uma semente para explorar as diferentes condições sob as quais ela prospera ou falha. Eles não podem comparar sementes de uma companhia com aquelas de outra empresa. E talvez mais importante, eles não podem examinar se lavouras transgênicas apresentam efeitos ambientais colaterais inesperados.

Pesquisas sobre sementes transgênicas ainda são publicadas, é claro. Mas somente estudos que recebem a aprovação das empresas de sementes são aceitos para publicação em periódicos científicos. Em muitos casos, experimentos que receberam um aval implícito das sementeiras para seguir adiante tiveram posteriormente sua publicação bloqueada porque seus resultados não eram positivos sob a ótica das empresas. É importante compreender que não se trata apenas de uma recusa geral para todos os pedidos de pesquisa, o que já seria ruim o bastante, mas sim de recusas e permissões seletivas baseadas na percepção das indústrias sobre o quão amigável ou hostil um cientista em particular pode ser em relação à tecnologia [de aprimoramento genético], escreveu Elson J. Shields, um entomologista da Universidade de Cornell (EUA), em uma carta a um representante da Agência de Proteção Ambiental (EPA, o órgão do governo americano encarregado da regulamentação dos transgênicos no que tange as consequências para o meio ambiente).

Shields é o porta-voz de um grupo de 24 pesquisadores de insetos que se opõem a estas práticas. Pelo fato de os cientistas dependerem da cooperação das empresas para a realização de suas pesquisas -- eles precisam, afinal de contas, ganhar o acesso às sementes para realizar os estudos -- a maioria preferiu permanecer anônima com medo de represálias. O grupo submeteu uma declaração ao EPA protestando que como resultado do acesso restrito [às sementes], nenhuma pesquisa verdadeiramente independente pode ser legalmente conduzida sobre muitas questões críticas a respeito da tecnologia.

Já seria assustador o bastante se qualquer outro tipo de empresa fosse capaz de evitar a realização de pesquisas independentes para testar seus produtos e relatar suas descobertas -- imagine fabricantes de carros tentando impedir as comparações entre modelos de diferentes empresas feitas pela Consumer Reports [uma revista para consumidores de grande circulação nos EUA, produzida pela ONG Consumers Union], por exemplo. Mas quando cientistas são impedidos de examinar os ingredientes do suprimento alimentar da nossa nação ou de testar o material vegetal que cobre uma grande porção das terras agrícolas do país, as restrições sobre a pesquisa livre tornam-se perigosas.

Embora nós prezemos a necessidade de proteção dos direitos de propriedade intelectual que impulsionaram os investimentos em pesquisa e desenvolvimento que levaram aos sucessos da tecnologia agrícola, nós também acreditamos que a segurança dos alimentos e a proteção do meio ambiente dependem de que os produtos agrícolas tornem-se disponíveis ao escrutínio científico regular. Empresas de tecnologia agrícola deveriam portanto suspender imediatamente as restrições à pesquisa impostas por seus acordos de usuário final. Indo além, a EPA deveria também exigir, como uma condição para a aprovação da venda de novas sementes, que pesquisadores independentes tenham acesso irrestrito a todos os produtos disponíveis no mercado. A revolução agrícola é importante demais para ficar escondida atrás de portas trancadas.

Scientific American, Editorial, edição de agosto de 2009, publicado em 21/07/2009.

http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=do-seed-companies-control-gm-crop-research