
Claro que depois de uma semana e meia da audiência pública que colocou o arroz da Bayer em maus lençóis, não existe mais nenhuma notícia nos jornais (e nem tem que haver, normal), mais nada no site da CTNBio, enfim, silêncio. Era esperado, o mundo gira, e a Camargo Corrêa roda...
Isso, contudo, me faz refletir sobre o poder do silêncio. Passados muitos meses da histórica audiência em que Embrapa, Farsul e Federarroz disseram "não" ao arroz da Bayer, é bem possível que a CTNBio se esqueça que ninguém quer o arroz transgênico, e volte a "aprontar" mais uma. Já mostraram que o carimbo está em plena atividade e carimbaram mais um algodão transgênico.
O perigo, contudo, reside no esquecimento das próprias Embrapa, Farsul e Federarroz.
É importante respeitar e contar com a seriedade destas instituições. Contudo, casos de "esquecimento" existem... (o nosso presidente é um exemplo clássico: três meses depois de tomar posse, contrariou o compromisso de campanha, e histórico, de não liberar transgênicos no Brasil).
Enfim, a nós, que gostamos de saber que a Bayer quis trazer um arroz e levou pepino, cabe manter este assunto em alta.
Se não assinou a petição do Greenpeace, está em tempo.
2 pessoas comentaram:
O Altamiro Borges acabou de publicar um texto no mesmo sentido. Destaco um trecho:
No livro “Caminhos para uma comunicação democrática”, editado pelo jornal Le Monde Diplomatique, o sociólogo espanhol Manuel Castells, renomado estudioso da área de comunicação, afirma: “A maior influência que a mídia exerce sobre a política não é proveniente do que é publicado, mas do que não o é, de tudo o que permanece oculto, que passa despercebido. A atividade midiática repousa sobre uma dicotomia: algo existe no pensamento do público se está presente na mídia. O seu poder fundamental reside, portanto, na sua capacidade de ocultar, de mascarar, de omitir”.
...
Patrick, ele termina dizendo:
"Se o que sai na TV é o que realmente existiu, o contundente protesto de 30 de março não existiu."
É muito perigoso nos pautarmos pela imprensa, mas ainda mais perigoso ignorá-la.
É também necessário pensar em formas de levar assuntos como o protesto de segunda e a modificação do arroz para a pauta dos grandes meios.
Algo que envolve 80 mil pessoas em todo o Brasil e pára a paulista constrange o jornalista que não o publicar.
Abs e obrigado pela dica
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