quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Atitude de Ministro

Foi incrível ver o Ministro da Saúde da Índia se posicionando categoricamente contra a liberação de beringela transgênica, e afirmando categoricamente que não vai permitir que sejam liberados produtos sem as devidas avaliações de risco.

Lembrar que os transgênicos não devem ser avaliados somente do ponto de vista de uma ciência apenas é papel digno de um Ministro da Saúde.

Há legendas em inglês do discurso:

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Descaso sem fim: CTNBio aprova mais uma variedade de milho transgênico

São Paulo, (SP) — Liberação ocorreu mesmo sem a comprovação de que não haverá impactos para o meio ambiente e para a saúde

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança liberou, nesta quinta-feira (11/12), por 16 votos a 5, mais uma variedade de milho transgênico para cultivo comercial. A aprovação ocorreu mesmo sem os testes sobre os efeitos da toxina dessa variedade à saúde humana.O milho Herculex, da Du Pont e da Dow AgroSciences, tem propriedade inseticida e é resistente ao agrotóxico glufosinato de amônio.

Para conseguir a aprovação na CTNBio, as empresas apresentaram testes baseados em uma toxina diferente da contida na variedade. Ou seja, a toxina utilizada como garantia de que o milho transgênico não causará impactos para o meio ambiente e para a saúde humana e animal é diferente daquela que a planta vai produzir para matar insetos.

Também não foram realizados testes de resistência a outros agrotóxicos, o que comprovadamente pode ocasionar o aparecimento de superpragas. Além disso, o fragmento de DNA testado pelos estudos foi apenas o que proporciona a resistência ao glufosinato de amônio. Outros 14 fragmentos de DNA inseridos no milho Herculex - cujos efeitos são desconhecidos – não foram avaliados. “Votar a favor de um organismo que não foi devidamente testado é irresponsável. Estamos fazendo papel de cobaias”, denunciou Rafael Cruz, coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace.

Ações como essas contrariam as determinações constantes na Resolução Normativa nº5 - conjunto de diretrizes científicas para liberação comercial de variedades transgênicas. Dentre as instruções desta resolução, está a avaliação do risco dos potenciais efeitos adversos - tanto para o meio ambiente quanto para a vida humana e animal - de organismos geneticamente modificados. “É alarmante o fato de que a resolução normativa número 5 da CTNBio não tenha sido plenamente cumprida: boa parte dos estudos não foram apresentados e algumas pesquisas apresentadas não atendem ao objetivo pretendido. Ainda assim, o milho foi liberado”, lamentou Leonardo Melgarejo, membro da Comissão e autor de parecer contrário à liberação comercial do milho.


Fonte: Greenpeace Brasil

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Pela rotulagem nos Estados Unidos


O "Institute for Responsible Technology" lançou um abaixo assinado (para cidadãos americanos) que pede ao recém-eleito presidente Obama uma política de rotulagem de transgênicos nos Estados Unidos.

Obama, durante sua campanha, prometeu identificar alimentos feitos à base de transgênicos. Mas já começou torto neste assunto, indicando para seu time de transição Michael Taylor, ex-Monsanto, responsável pela introdução do hormônio de crescimento para vacas leiteiras nos Estados Unidos.

Este hormônio foi posteriormente banido da Europa e inclusive Canadá, que geralmente baseia suas políticas sanitárias e de seguança alimentar nos Estados Unidos.

Enfim, olho vivo na política para transgênicos do maior país transgênico do mundo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Marie-Monique Robin no Brasil


Conforme informei no outro post, a jornalista francesa, autora do livro e documentário "O mundo segundo a Monsanto" estará no Brasil na semana que vem, para participar de um circuito de apresentações e debates em 4 cidades. Segue abaixo a programação:

São Paulo, SP
Difusão do filme seguido de debate com a autora
Data: 8 de dezembro
Horario: das 18h a 21h30
Local: Anfiteatro do departamento de Geografia, Cidade Universitária

Piracicaba, SP
Difusão do filme seguido de debate com a autora
Data: 9 de dezembro
Horario: das 13h às 18h
Local: Afiteatro da Fisiologia, ESALQ

Brasília, DF
Seminário: Atividade da frente da Reforma Agrária
Data: 10 de dezembro
Horario: das 13h30 às 17h30
Local: Auditório Freitas Nobre, Subsolo do Anexo IV da Câmara dos Deputados

Brasília, DF
Difusão do filme seguido de debate com a autora
Data: 10 de dezembro
Horario: das 18h às 21h
Local: Auitório Joaquim Nabuco, da Faculdade de Direito da UNB

Rio de Janeiro, RJ
Difusão do filme seguido de debate com a autora
Data: 11 de dezembro
Horario: das 18h às 21h
Local: Mediateca da Maison de France, Consulado da França

No YouTube você encontra o documentário em oito partes, em inglês.
Assista e veja o que está por trás de muitos alimentos que você está comendo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Estranho debate


Na semana que vem, em Amsterdam, Holanda, haverá um estranho debate sobre soja transgênica. O foco é criar o que o organizador, o Development Policy Review Network (DPRN), chama de "common sense", que em inglês pode significar tanto "senso comum" quanto "bom senso".

O cenário do qual partem é a expansão inevitável da soja transgênica, principalmente nas Américas. Segundo o entendimento deles, a questão se polarizou, e devido a posições radicais é necessário "criar um debate construtivo" sobre o plantio de soja transgênica e suas implicações.

A pergunta que estará na mesa dos participantes deste debate é "Como gerenciar riscos e benefícios da transgenia em negócios direcionados à sustentabilidade do setor da soja?"

Como defensor de idéias ditas "radicais", fiquei pasmado ao ver que o debate é apoiado por Soridaridad, organização que promove comércio justo, e WWF, uma das maiores organizações ambientalistas do mundo.

Esta configuração de debate passa algumas mensagens contraditórias e nada democráticas. Não se trata de um debate construtivo, ao meu ver, mas sim a fixação de um paradigma perigoso, de que não existe a possibilidade de um mundo sem transgênicos.

Como defender comércio justo com pequenos produtores pagando royalties e dependentes de agrotóxicos cujos preços acompanham os do petróleo? Como debater sustentabilidade de algo que acaba com biodiversidade?

Creio que este debate sobre soja transgênica não contemplará o problema dos produtores gaúchos de soja natural, que são obrigados a vender suas produções como transgênicas para as cooperativas do estado, nem discutirá seriamente as perdas que tiveram sojeiros no Mato Grosso com o aumento do preço do glifosato.

Enfim, creio que propor um "debate construtivo" sobre o assunto, considerando a possibilidade de "soja transgênica sustentável", em detrimento de posições "radicais" pode ser triplamente prejudicial ao entendimento da questão: 1. polariza os atores como "radicais" ou "construtivos"; 2. negocia o inegociável, como por exemplo a liberdade do produtor e o uso exponencial de agrotóxicos; e 3. joga a toalha, não só para a soja, que cresceu na clandestinidade, mas para os outros transgênicos.

Saiba mais no: www.gmsoydebate.global-connections.nl

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O mundo segundo a Monsanto

A responsável pela investigação, autora do livro e idealizadora do documentário "O Mundo Segundo a Monsanto", estará no Brasil à partir da próxima semana. Marie-Monique Robin, jonalista francesa, estará em São Paulo (8/12), Piracicaba (9/12), Brasília (10/12) e Rio de Janeiro (11/12).

Ela fez uma brilhante investigação sobre a forma de atuação da maior empresa de transgênicos do mundo, a falta de ética e desrespeito à noção de público e privado na condução de seus negócios, os impactos ambientais e, o mais chocante, sociais e à saúde.

Caso queira mais detalhes, deixe um comentário ou envie um e-mail para cruz.rafael@gmail.com.

Veja abaixo o trailer (que infelizmente está em inglês), e reflita: