Nos últimos dias, a imprensa está bombardeando os brasileiros com notícias sobre a disputa entre biocombustíveis e alimentos [ok, isso é uma meia verdade, a imprensa está mesmo é interessada no caso da menina da janela – que eu não estou acompanhando, aliás].Mas quem lê o caderno de economia, ou assiste o telejornal até o fim, sabe que eu tenho um pouco de razão. A alta no preço dos alimentos e as viagens do Lula pra falar de etanol estão dando o que falar...
Mas afinal, o preço do feijão subiu mesmo por causa desse boom dos biocombustíveis? O mundo vai passar fome porque resolveram tranformar comida em combustível? Ou tudo isso não passa de uma viagem coletiva?
Vamos lá: os EUA produzem etanol de milho, que é a base da alimentação de muita gente. Então nesse caso, dá pra dizer que o que antes era comida está virando combustível pros carros do Tio Sam. Diretamente. E que, portanto, é possível que falte alimentos.
No Brasil, o etanol é produzido a partir de cana-de-açúcar (que todo mundo sabe que não é alimento de ninguém). Então aqui no nosso caso não dá pra dizer que tá faltando comida só porque a produção de alimentos está sendo usada pra produzir energia.
Mas, tanto no caso do Brasil quanto no caso dos EUA, a verdade é que essa febre dos biocombustíveis animou um monte de agricultores que antes plantavam arroz, feijão, batata, tomate, laranja, etc., a plantar milho lá e cana aqui. E aí, o que acontece é que os campos que antes tinham feijão, agora tem cana. Ou seja, estamos produzindo menos feijão. E aí, é matemática básica: quanto menos um produto está disponível no mercado, mais caro ele custa (lei da oferta e da procura).Então, em parte, o preço do feijão subiu sim por causa desse papo de etanol. Mas, por outro lado, também tem que se levar em conta que o petróleo tá caro pra caramba. E com o petróleo caro, fica caro encher o tanque dos tratores que fazem o plantio, ou que fazem a colheita. Fica caro aplicar fertilizantes e agrotóxicos (não que eu seja a favor deles, mas a gente sabe que a maior parte das lavouras do mundo usa esses insumos derivados de petróleo). Fica caro transportar o alimento do campo até o local de consumo. Resumindo: o petróleo caro também impacta no preço dos alimentos.
É quase como ‘se correr o bicho pega, se ficar o bicho come’. Se depender do petróleo, vai ter que pagar caro. Se usar biombustíveis, vai ter que pagar caro também.
Agora, tem duas coisas nisso tudo que me irritam profundamente: o Bush fazendo etanol de milho (que é uma estupidez sem tamanho!) e o Lula dizendo que o etanol brasileiro é sustentável (outra estupidez sem tamanho!).
Mas outro dia eu falo disso... E falo também da relação entre os biocombustíveis e a destruição de ecossistemas aqui no Brasil.
4 pessoas comentaram:
Bela explicação
Abs
Pois é, quando o feijão era plantado por pequenos agricultores não tínhamos muito desses problemas.
Agora você vê, a comida fica cara por que o petróleo ta caro, mas a alternativa ao petróleo encarece os alimentos. Questão quase filosófica.
Eu ainda acho que mais que trocar a matriz energética temos mesmo é que deixar de queimar energia a revelia.
Belo blog!!!
http://www.mountainbikebh.com.br
O preço dos alimentos estava baixo. As pessoas estavam comprando, assim começou-se uma inflação. Como diminuir a inflação? diminuindo o consumo... como? aumentando o preço. Fazer biocombustível com o milho é um absurdo, mas provoca a escassez de alimentos, aumentando o preço, diminuindo o consumo. Além do mais, é mais um jeito de divulgar que o mundo está com fome e que os transgênicos estão aí para salvar a todos. O que é mentira pois a produção de transgênicos é igual à convencional. Enfim, mata dois coelhos de uma vez só... aumenta o preço dos alimentos e faz propaganda dos transgênicos, que são, no mínimo, desnecessários.
Muito bom , pois é, aparentemente é uma bela ferramenta de economia os tran.. no entanto basta "cavar" um pouca para se achar a bagunça!!
Meu blog: wwww.salaverdeufba@blogspot.com
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